E 2015 está acabando…(pois é, adiei 31 dias o seu fim, pra encerrar com ele um LONGO ciclo…)

Manu Kinkakuji
Se viajar é uma das coisas que mais AMO neste mundo, encerro o ano com a foto da MELHOR viagem DO ANO.
Este ano (de 2015) eu fui ao Japão. Você sabia? Talvez sim, talvez não. Talvez soubesse mas viu pouco disso. Pois bem, em breve você verá mais: tem um blog quentinho saindo do forno a respeito dessa viagem INDESCRITÍVEL…
…Mas talvez vc esteja se perguntando PQ to falando de saber, ou não saber, pois é… To falando disso pq tem a ver com o SEGUNDO GRANDE aprendizado de 2015 (postei o primeiro dias atrás), e aí vai ele sintetizado em UMA palavra: AUTOPROTEÇÃO.
Sempre fui, sou, e sempre serei, água corrente, TRANSPARENTE, temporal. Mas BEM no início de 2015 comecei a perceber que poucos mereciam ver esta água… Ao longo do ano foi ficando mais nítido, que se poucos podiam ver água, menor ainda era o número dos que podiam se refrescar nesta água, banhar-se nela, beber-me por inteira. E eu me mostrando sempre INTEIRA a tanta gente, e eu me deixando transbordar por todos os poros de todos os lugares… Não apenas pq eu pudesse confiar em poucos (ponto 1), mas pq POUCOS são dignos de molhar-se neste temporal. Pouquíssimos são os merecedores da minha avalanche de emoções.
E a ida pro Japão consolidou TOTAL esse sentimento, pq lá eu aprendi que o meu maior mergulho é AQUI MESMO, dentro de mim, e ninguém, mais do que eu, merece O MEU MELHOR. Precisei ir pro outro lado do mundo, pra desconectar do exterior e me conectar ao interior, pra conhecer profundamente o Budismo, pra entender o que é SERENIDADE ALEGRE, e mergulhar em si ajudando INCANSAVELMENTE O OUTRO. Precisei conhecer os ambientes MAIS PUROS que já vi (o Japão é todo puro: da gente ao chão), para entender que meu coração puro é de poucos, e para poucos.
Você ainda vai me ouvir falar do Japão. Quando eu conseguir, aos poucos, terminar de compreender as mil e uma multifacetas do Japão. Nunca vi nada igual. Também nunca me vi igual.
Para 2016 fica esta certeza: quanto mais me conheço, mais me perdoo, mais combato minha maior inimiga: eu mesma, e vencendo-a, conheço mais e perdoo tb todos os seres humanos. Quanto mais compreendo que toda entrega é sagrada, e todo ser humano é uma dimensão da qual vc sabe pouco ou nada, mais compreendo, e diferencio, quem veio pra ensinar hoje de quem veio pra ensinar sempre.
Antes eu achava que sabia sobre AMOR, hoje eu sei que o construo, dia após dia, orando e vigiando o lobo que existe dentro de mim (homem lobo do homem). Eu achava que amando a todos estava, por tabela, amando a mim – e é exatamente a equação inversa: só amando a humanidade que encontro em mim é que posso amar a todos.
Saio deste 2015 dizendo que neste ano eu “acabei com tudo, escapei com vida, tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída…”, e só escapei pq transbordei-me em mim, pq entendi a urgência do meu amor por mim, pq “já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver…”, pq vejo em 2016 uma Manu mulher cada vez MELHOR PRA MIM (e para todos, sim, porque todos são, em maior ou menor grau, partes de mim).
Quer saber mais? Venha, chegue perto, devagar ou rápido, mas chegue VOCÊ, mostre-se, não tenha medo nem vergonha – acredite, já vi mil coisas piores. Eu estou preparada. Você está preparado?
Esteja preparado pra 2016. Feliz ano novo!!
#vemnimim2016 #prontapra2016 #felizassim #braçosabertospara2016 #aprendizado #vem2016 #Japão #kinkakuji #kyoto #templodourado #AMOJapão #AMOViajar 
Obs: foto em Kyoto, em 2015, no Templo Dourado ou mais precisamente Kinkaku-ji Temple (um lugar INCRÍVEL que data do ano de 1397 e é TODO ele, exceto o chão, feito de folhas de ouro puro).

 

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Os números de 2015

Já que eu tenho uma dificuldade ENORME de ser sucinta – e passei o ano achando que tinha de mudar isso, e, para 2016, aceitei que não posso mudar isso (“é perigoso cortar os próprios defeitos: não se sabe qual é aquele que sustenta o todo.” CL) – o WordPress fez um RESUMINHO do meu blog pra mim e, CLARO, para vocês!! Desfrutem dele, cada gota. Em 2016 tem blog novo, e tem este aqui renovado.

Um cheiro doce, ao som de “Voyage, voyage”, do Desireless (sempre ouvindo os clássicos, sempre querendo viajar…). E MUUUUITAS viagens, em casa ou no mundo, para nós todos, em 2016!!

 

“Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 490 vezes em 2015. Se fosse um bonde, eram precisas 8 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

Notas sobre a seca

E dirigindo na grande avenida expressa desta cidade que é o centro, geográfico e político desta nação que é minha e, nunca se engane, é tb sua, escuto no rádio, naquele programa tão execrado por TANTOS porém q escuto sempre que posso, aquela notícia q faz descer ao lábio a lágrima salgada e rasga fundo tantas lembranças doces:

“No Rio Grande do Norte, estão completamente secos os açudes Gargalheiras, Itans e a Barragem de Pau dos Ferros….”

Por um instante sua mente, sem descurar do trânsito brasiliense, volta no tempo àquele açude… E quem mora ou já morou no sertão conhece a profusão de significados que tem um açude pro povo sertanejo… Num cenário diferente, mas de forma bem análoga ao povo da capital-litoral, a moçada do sertão juntava as moedas, passava na única bodega aberta às 22h (em Caicó, quando não era o mercadinho de dona Céu, era o mercadinho da Barra Nova (não sei se ainda é…), e comprava aquele garrafão de 5 litros daquele vinho “francês”: sangue de boi (ou “sang du bois” para os francófonos), vinho tb chamado de chapinha ou, diziam as más linguas: bomba de água e açúcar misturada ao vinho p enganar os trouxas… hehehe

Pois bem, voltei à esses momentos tantas vezes vividos em q após pegar o litrão na bodega íamos todos para a parede do Itans, ou às vezes para uma de suas “prainhas”, e ali ficávamos a contemplar a verdadeira exibição do “Luar do sertão” e do chão de estrelas, ALI, REFLETIDO narcisista naquele aguaçeiro que não víamos o fim… E os corajosos pulavam na água gelada, os menos corajosos torciam pela coragem dos amigos (pra que ela nunca se fosse), o cenário romântico inspirando a prosa da vez: em dia triste, a menina-mulher vinha com as lágrimas fartas, arfantes, o menino-homem sempre com aquela única lágrima AMARGA, contida (afinal reza a lenda de que homem no sertão não chora), a música roedeira tocando no toca-fitas/cd player do carro aquela música do Rei (o Rossi, o Roberto, o do baião, ou qualquer um desses reis que chegam por lá…), o amigo sensível sempre a consolar, a sorrir, a olhar o “mar” e a dizer: isso passa, tudo passa; e se a prosa da vez fosse de sorrir: era aquele riso do qual se fez nossa união, e que eternizou uma amizade na qual vemos, a mesma galera da parede do Itans, hoje conquistando o Brasil inteiro, mas unidos p sempre num sorriso guardado ali, martelado MUITO fundo, qual pedra lavrada, no CORAÇÃO… E eram as vezes de brincar de “eu nunca”, e de casais amigos(?) se verem apaixonados (nem q fosse aquela paixão da lua: que só brilha à noite – “Minha laranjeira verde pq está tão prateada? Foi a lua desta noite? O sereno da madrugada?”), e de inventarmos danças loucas, molharmos pelo menos o pé no açude, falar sobre o sol de Caicó, SEMPRE QUENTE, sobre Escotismo (éramos todos ou pioneiros ou já chefes escoteiros na época – entre 18 e 20 e tantos anos), sobre vinho (como se conhecêssemos algo além d Sangue de Boi, Padre Cícero e Vinho do Frei), sobre os sabores, os dissabores, as dores, os amores, as cores… E sempre tinha uma estrela cadente, e aquele pedido – que, acreditem, os meus sempre se realizaram!

Ver o Itans morrer eh ver um pedaço disso tudo morrer… É como se a testemunha ocular dos teus crimes de amor e amizade, resolvesse falecer assim, sem te passar o relatório de tudo que viu. É mais do que ver as torneiras sem água, é ver a terra sem vida, a lembrança sem brilho, o cenário sem o palco, a peça de teatro que sedimentou tanto de ti com o protagonista mutilado. Talvez alguns de vcs possam me entender, talvez outros nunca possam, só sei que, como dizia o amigo sensível e SEMPRE o mais sábio: “tudo passa”! E peço as estrelas cadentes, q nao consigo ver aqui na capital, que o cenário volte, para abastecer as torneiras da cidade e para embalar sonhos e histórias de tantas futuras gerações caicoenses que merecem ver o MESMO sertão que eu vi e vivi.

Todos os caminhos levam para…

Para tantas coisas!! Essa eh A GRANDE MAGIA da internet: vc vai, de facebook em facebook, de site em site, traçando caminhos que vc não esperava mas que, inesperadamente, estavam ali, apenas esperando por vc. E hoje, de face em face, cheguei na Sandy. Acho q primeiro fui p um blog  falava da maquiagem da Sandy, e que eh sempre ela que se maquia para todos os eventos, devagar fui indo para a Sandy e então me veio…..

VUPT!!!!

Lá estava eu no ano de 1999. Era o meu PRIMEIRO ano de faculdade e eu precisava comprar um caderno para aquele que seria o meu PRIMEIRO dia de aula na Universidade. Aquele dia que a gente olha e pensa: esse será o primeiro dia do resto da minha vida!! 17 anos na veia e primeiro namorado no coração. E antes da aula, à noite, passei A TARDE ouvindo aquele CD, que marcou, pasmem vcs tb, o PRIMEIRO AMOR da Sandy: o CD as Quatro Estações. Então, naquela QUENTE tarde caicoense após HORAS seguidas de As Quatro Estações, comprei o caderno que iria acompanhar o PRIMEIRO daqueles CINCO anos de (faculdade) emoções em minha vida (e lembrei agora do formidável TOQUINHO descrevendo que o caderno ia ser Serei, de você, confidente fiel/Se seu pranto molhar meu papel…/Sou eu que vou ser seu amigo/Vou lhe dar abrigo/Se você quiser/Quando surgirem/Seus primeiros raios de mulher/A vida se abrirá/Num feroz carrossel/E você vai rasgar meu papel…”): e foi EXATAMENTE AQUELE caderno que segurou o pranto dos primeiros raios/namorados de mulher!!

E, a ideia era lembrar da Sandy, mas uma lembrança leva a outra e no carrossel da vida lembrei-me de um dos primeiros namoradinhos, o primeiro namorado depois que voltei a ser escoteira, o PRIMEIRO conto de fadas – afinal, eu guia e ele recém-pioneiro, me pediu em namoro na frende DAS Tropas SENIOR E GUIA (a época separadas) – e não me lembrei, infelizmente, do dia do pedido, lembrei-me do dia do término, que ocorreu na esquina da faculdade, minutos antes de começar a aula, e eu corri pra aula e cheguei, os olhos MAREJADOS, a cara arrasada, sentei no lugar de SEMPRE, junto a minha INSEPARÁVEL ALMA GÊMEA desde O PRIMEIRO dia de aula, e ele, EU NÃO PRECISEI DIZER NADA, ele olhou pra mim e disse: “o que houve? Segure o choro e me conte. Eu estou aqui. ” Eu disse: acabou Alê… Acabou.” Como a aula tinha começado, ele disse: escreva. E assim começaram aqueles bilhetes, intermináveis, que cinco anos depois Alê citou em seu discurso de orador na formatura, e olhou pra mim no EXATO momento dessa citação. E foi uma página do caderno, da Sandy e Junior, que começou as nossas cartas intermináveis, que contaram tantos amores e registraram TANTA VIDA e selaram uma amizade que, HOJE, já não precisa de selo algum.

Apesar de MUITOS criticarem a Sandy, eu queria um dia encontrar com ela, olhar em seus olhos e dizer que tenho a sensação de que ela é uma GRANDE AMIGA, pois no acampamento escoteiro em q eu sofria por amar um menino ele olhava pra mim, talvez sem saber (ou sabendo), e cantávamos juntos “Às vezes me pergunto se eu viverei sem ter você…” – e CLARO que vivemos sem ter um ou outro: mas que FOI INESQUECÍVEL, como diz o nome da musica, foi. E eu queria dizer a ela que quando ela chorava o primeiro amor dela eu também chorava o meu, e que, assim como ela, eu tb tive um namorado gatérrimo que não durou mas valeu a pena (e o Paulinho até hoje diz que ela foi um de seus grandes amores) – e que eu (AINDA)não tive a SORTE de reencontrar um GRANDE amor do passado num momento mais OPORTUNO, sorte que ela teve quando reencontrou o Lucas e, adivinhem só, escolheu o dia do MEU ANIVERSÁRIO pra casar – viu Sandy, somos amigas, parceiras de sentimento, eu sempre soube, desde as tardes quentes caicoenses regadas a sonhos, calor, brigadeiros, risadas de amigas, lágrimas e quatro estações.

E então ela, adulta, que nem euzinha aqui, lançou um CD MUITO Bom. Sei que ha melhores, e ha piores, mas eu curti p caramba esse CD.

E HOJE, especificamente HOJE, encontrei uma música da Sandy q eu ouvi tempos atrás mas que, na época, NÃO me tocou. Talvez pq, na época, não era o que eu vivia na pele, no peito… E hoje é. SÓ É. MUITO É. E fiquei lembrando do caderno… E das músicas adolescentes que diziam tanto… E percebi que a gente cresce mas os sentimentos continuam jovens, sempre VIVOS, vermelhos, BEM ADOLESCENTES, BEM Sandy&Junior (que para a minha mãe por MUITO tempo foram uma pessoa só, do tipo: “Emanuela vc viu? A Sandy&Junior casou com o Lucas.”), hoje, são sentimentos BEM SANDY, visto que ela nunca perdeu esse estilo ultra romântico de ser, E MUITO MENOS EU!! Então Sandy, como naqueles anos do século passado e em tantos outros, lá vamos nós (lembrando q o maridão Lucas quem compôs o arranjo da música, no violino, belíssimo):

http://letras.mus.br/sandy/morada/

“Como cortar pela raiz se já deu flor?
Como inventar um adeus se já é amor? (como?!?!)
Como cortar pela raiz se já deu flor?
Como inventar um adeus se já é amor?

Não quero reescrever
As nossas linhas
Que se não fossem tortas
Não teriam se encontrado

Não quero redescobrir
A minha verdade
Se ela me parece tão mais minha
Quando é nossa

Como cortar pela raiz se já deu flor?
Como inventar um adeus se já é amor?
Como cortar pela raiz se já deu flor?
Como inventar um adeus se já é amor?

Não me deixe preencher com vazios
O espaço que é só teu
Não se encante em outro canto
Se aqui comigo você já fez morada!!”

Essa música MORADA diz TUDO!! Se alguém estiver curioso, e ainda não tiver ouvido no terra a gravação do CD, tem ela e o Lucas, maridão FOFO, cantando juntos, quando ela estava grávida de Theo:

(só a primeira metade do vídeo é MORADA):

E to indo dormir tarde, cansaaaaada do dia, mas emocionada e MUUUUUITO GRATA: à minha amiga Sandy, ao amigo Alê inseparável nos adeuses, nos diálogos dos primeiros (E DE TODOS OS) cadernos, a TANTOS amores regados à Sandy&Junior, e aos amores MAIORES, os que fizeram, E FAZEM: MORADA.

//

Falando sério…

Não escrevo neste blog desde o finalzinho de 2014, quando viajei pro Rio pra viver (pela segunda vez seguida) o LIIIIIIINDO Reveillon de Copacabana. Desta última vez, por uma série de coincidências infelizes, falta de sorte (e de um bom planejamento) e uma sucessão de desencontros, eu não ‘tive’ Reveillón em Copacabana. Eu vi da areia da praia, sozinha e entre lágrimas, uma queima de fogos ESPETACULAR – foi uma noite péssima: não tive um Reveillon – no verdadeiro sentido original da palavra “Reveiller” – “Despertar” em Francês. Naquela noite 2015 não despertou em mim.

Despertou depois, ainda em janeiro, em Natal, no Jamboree Nacional, mais especificamente, e isso é preciso citar, 2015 despertou no momento de uma LINDA DANÇA CIRCULAR!! Foi ALI QUE O ANO NOVO, e um MUNDO NOVO despertou em mim. Esse mundo que é 2015: um ano inteirinho e novinho para se viver.  E as danças sagradas tem esse “je ne sais quois” de consagração com o mundo que a gente não sabe explicar, só sabe sentir, experimentar, viver – e naquele dia foi UM DESPERTAR tão FORTE em mim, que eu chorei e ri ao mesmo tempo e mandei, sozinha, cada sorriso DAQUELE pra alguém que eu amo – e a transmissão foi tão forte q minha amiga q mora na Bélgica, e não me manda msg toda semana, mandou msg NAQUELE exato momento dizendo q pensou em mim. Despertou, ENFIM.

Mas como têm sido TODOS os últimos anos, este foi tão intenso que não tive muito tempo de escrever… E mais do que intenso: com o trabalho, este ano tem sido MUITO é corrido… Já é junho e sinto como senão tivesse feito nem metade?!? Como assim produção?!? Às vezes tenho a impressão de que o ano está passando mais rápido do que a vida que estou vivendo, e isso me deixa meio frustrada: pra onde vão as horas de VIDA que não voltam mais?!?

Passou metade do ano, mas eu fiz uma promessa no fim de 2014, e ela foi A ÚNICA promessa que eu reiterei no meu despertar de janeiro: este ano eu traria pro real os sonhos que estavam no virtual, no imaginário da alma, do coração… E essa ainda é uma das DUAS principais promessas pro meu 2015!! E acreditem: alguns sonhos daqueles eu já realizei!! De outros estou correndo atrás (tem metade do ano ainda gente!! Calma!! Respira e vai!!). E a outra promessa? Não deixar a sensação de solidão pesar NENHUMA VEZ em mim neste ano. Solidão não é um estado de ser: é um sentimento. A pessoa pode estar completamente sozinha e não sentir UMA GOTA de solidão. Pode estar acompanhada de um grupo animadíssimo de dez amigos e sentir-se profundamente só. Pode se sentir só e desfrutar dessa solidão de maneira leve e feliz. Pode sentir o peso da solidão e esse peso doer… Tudo é sentimento. Tem pouco (ou nada) a ver com o que está fora: e tem MUITO a ver com o que está dentro. E é esse dentro que eu quero que seja forte: pra tornar qualquer peso, um peso LEVE.

Não prometi emagrecer, nem viajar, nem fazer sapateado, nem fazer uma tatuagem, nem deixar de comer carne vermelha, nem mudar de área no emprego, nem escrever mais no blog, nem perder tal medo, nem ler mais livros, nem mudar de apto, nem encontrar um novo hobby, nem voltar a estudar, nem amar melhor o outro… Este ano fiz duas promessas. Só duas E, pasmem, estou cumprindo as duas: lenta e (dolorosa)fortemente. E talvez porque tenho focado primordialmente nestas DUAS metas, e, não por acaso, são duas metas essencialmente TRANSFORMADORAS de mim: vêm pra cultivar essa coisa (in)decifrável (aos poucos decifrável) que chamam de amor próprio/autoestima e que é planta tão recente em meu coração – precisa de água, sol, adubo, cuidado – talvez pq o foco é nas duas promessas, todas as outras ideias estão (também) virando concretudes – como li certa vez: “não se preocupe se seus sonhos estão lá no alto, eles estão no lugar certo: agora construa os alicerces.”

Num 2015 de dois importantes alicerces, os sonhos lá de cima já estão ao alcance das mãos.

E vem MUITO MAIS por aí!!

A mensagem de hoje, além de toda essa introdução com cara de conclusão, é a música a seguir, que é TUDO que eu quero de AMOR pra minha vida em épocas de Tinder, noites fugazes, amizades de balada e parperfeito.com:

Obs: a música me toca há anos na voz do REI, o GRANDE REI Roberto Carlos, mas eu sempre me identifiquei tanto com um eu-lírico feminino nesta canção, que a amei numa voz de mulher:

“Falando sério… Entre nós dois tinha que haver mais sentimento… (entre TODOS tem de haver mais sentimento!!!)!! Não quero seu amor por UM MOMENTO!! (não quero amor/amizade/carinho/whatever de ninguém por um momento)… E ter a vida inteira pra me arrepender!!!”

Tchau 2014… #vemnimim2015

2014 não foi um ano fácil… Aliás, os dois últimos anos, vou te contar… Quanta coisa aconteceu!!! Momentos difíceis? Foram vários… E muitos no nível hard.

Mas em 2014 eu vivi uma das MAIORES alegrias de minha vida, uma FELICIDADE a qual eu busquei MUUUUITO, que veio suada e sonhada: foi a REALIZAÇÃO de um GRANDE sonho – o sonho da independência financeira, do trabalho garantido, da estabilidade profissional, de voltar a me sentir produtiva: foi um sonho q compilava TODOS esses objetivos de vida!! Por isso, 2014 entrou para a minha história pessoal.

No início de dezembro, ia postar um texto sobre solidão, sobre a importância do amor próprio, de estar feliz consigo mesma antes de estar feliz com qualquer outra coisa. Esses sentimentos/reflexões estiveram MUITO presentes em minha vida em 2014 – na verdade, depois que comecei a trabalhar, esses sentimentos se mostraram urgentes: não podia mais jogar a culpar da minha felicidade (in)completa na irrealização dos meus objetivos supracitados: agora eu tinha/tenho obrigação de ser feliz. Mas pq só agora? A gente não tem, sempre e sempre, obrigação de ser feliz? Na verdade… Essa palavra obrigação, em relação à FELICIDADE, é uma palavra BEM imprecisa… Não somos obrigados a ser felizes… Mas eu acredito que estamos, todos nós, destinados a sermos felizes. Se existe um destino, e eu acredito que ele existe, acho que esse é o principal destino humano: ser feliz.

Destino? Busca? Caminho? “Não existe caminho pra felicidade. A felicidade é o caminho.” Então a felicidade não é destino… É jornada. É busca? Não, pq não é o q vc está buscando, é o aqui e agora, é o COMO vc está buscando seja lá o que você estiver buscando…

E meu MAIOR aprendizado em 2014 foi esse: o quanto é difícil PERDER verdadeiramente o MEDO DE SER FELIZ!! Achava bobagem aquela frase SIMPLES q dizia nos nossos cadernos de adolescência: não tenha medo de ser feliz!! Boba?? Q nada…. Poucos, pouquíssimos, são os que realmente perderam esse medo, ou que, mais corajosos ainda, enfrentam esse medo, face a face, e escolhem, DIARIAMENTE, a FELICIDADE!!

Chega uma hora em que não dá mais pra culpar a falta de emprego, a falta de dinheiro, a falta de namorado/marido, a distância dos amigos, a distância da família, a solidão, a saudade, pela sua incompletude – só você é responsável pela sua felicidade. É injusto, e no fundo é até cômodo, culpar mil e uma circunstâncias externas por algo que está DENTRO, MUITO DENTRO, de você.

Essa foi a minha MAIOR descoberta de 2014: e esse é o MAIOR aprendizado que levo para 2015 – quero enfrentar, de peito aberto e cabeça erguida, qualquer medinho que me apareça de SER FELIZ!!! Quero olhar fundo nos olhos de qualquer centelha desse tão humano “medo de ser feliz”, e dizer que pode ir pra bem longe e nunca mais voltar – que em mim a FELICIDADE encontrou MORADA!!

Minha meta pra 2015 é escolher, em todos os dias do ano novo, de corpo e alma, A FELICIDADE. Meu desejo pra você é que você escolha, em todos os dias do ano novo, de corpo e alma,  A FELICIDADE.

E sabe tudo aquilo que vive morando nos seus sonhos?? Meu desejo é trazer pra minha vida,  em 2015  ” TUDO AQUILO QUE VIVE MORANDO NOS MEUS SONHOS” – que venha morar aqui, na minha casa, onde quer que eu esteja, nos meus dias e noites, no meu cotidiano, na minha vida real, no meu ANO NOVO NOVINHO EM FOLHA!!

E que essa vontade louca que vc tem de viver tudo aquilo de sonho que mora em seu coração, seja mais do que vontade em 2015, seja REALIDADE, seja FELICIDADE!!!

FELIZ ANO NOVO!!!!!! 😀 😀 😀 😀

(correndo pra pegar o avião pro LINDO RIO DE JANEIRO… Fui!!!! Um cheeeeiro pra vcs!! )

vontadeSonhos

A história da princesa sem castelo

Era uma vez uma princesa que nascera em um reino de contos de fada da vida real. Ganhou o nome de um ser iluminado e cresceu num castelo sem rei, porém com uma rainha FORTE, um verdadeiro porto seguro para todos os súditos do reino, uma inspiração constante.

Essa rainha tinha um coração ENORME e mil e uma responsabilidades. Era uma grande mulher, reinava por todos e para todos, exercia trabalhos grandiosos e extenuantes, atividade intelectual intensa, e, portanto, a princesa, herdeira natural por sua primogenitura, assumiu desde muito cedo responsabilidades por si, pelo reino e pelos outros herdeiros. Uma vez o principezinho, dez anos mais novo, disse que a princesa, então com vinte e um anos, era como um pai para ele – não uma mãe, ou uma irmã mais velha. Foi uma surpresa, mas também um reconhecimento. Desde adolescente a princesa soube, também, que ela precisaria correr atrás de seu próprio reino – que ela não se contentaria com o reino que era seu por direito de herança, não pq ele não fosse o reino mais belo de todos (ela sempre soube q ele era, e ainda é, o reino mais belo), mas somente pq ele não foi o reino q ela conquistou pra si, ele foi o reino que ela escolheu pra vir ao mundo, e foi, também, o reino que lhe fora oferecido por méritos anteriores (esta vida é nova, mas a alma de todos é sempre antiga).  Ela sabia q iria chegar a hora de procurar mundo afora, neste “mundo mundo vasto mundo”(1),  o seu reino, e que quando chegasse a hora ela tinha de estar preparada – “sorte é estar preparado pra oportunidade”(2).

Então, desde criança a princesa queria conhecer TUDO: aos seis anos queria aprender a andar sozinha à cavalo, e encontrou em uma prima mais velha a companhia certa para percorrer todo o reino em um cavalo coletivo – a prima dormia a viagem toda e a princesa, pequeniníssima, tentava se equilibrar nas pontas dos pés para ver pela janela a capital de seu reino. Mais tarde, incentivada pela rainha, a princesa percorria sozinha todo o reino em seu cavalo verde à procura de desenvolver seus talentos: aulas de instrumentos musicais, danças, línguas, pintura…  Nesse percurso, a princesa encontrou um exército da paz, no qual os guerreiros se identificavam pelos lenços usados no pescoço e pelo desejo de mudar o mundo ao espalharem fraternidade, aprendizado, lealdade e amor. A princesa descobriu que esse exército estava presente no mundo todo, e que em toda parte, para onde fosse, ela encontraria, portanto, mais do que amigos, irmãos de ideal. Isso a encorajava a seguir.

Um belo dia, chegou a hora de partir. De mesmo tendo um caminho pronto, traçado, seguro e bem sucedido, e LINDO, prontinho para ela, à sua espera e logo à sua frente, chegou a hora de escolher não entrar nele, de abrir mão dele e buscar o caminho menos percorrido, de seguir, sozinha e por si, no caminho incerto das incertezas, sem reino, sem castelo, em busca de um castelo para chamar de seu. E a princesa partiu, com a bênção (e o apoio incondicional) da rainha (que também em juventude partiu e sabia que todos os grandes príncipes e as grandes princesas enfrentam o medo de trilhar o próprio caminho),  sem cavalo, sem casaco, com algumas moedas de ouro em seu embornal e “todos os sonhos do mundo”(3) em seu coração. E ela soube, ao longo da jornada, que muitos anos antes um príncipe teve atitude semelhante assim, porque apesar de habitar o mais belo reino do universo, ele precisava, sim, compreender a VIDA em sua plenitude, e buscar a existência (ou seria mais correto dizer “a essência”?) de todas as coisas, Sidarta Gautama, e esse príncipe, mais conhecido como Buda, tornou-se outra inspiração constante e fonte de LUZ em sua vida.

E a princesa partiu em sua busca… E uma de suas TRÊS* maiores descobertas, que foi, como todas as grandes descobertas, algo “gradual mas que pareceu de sopetão” – assim é tudo que vivemos de grandioso: já existe em nós MUITO antes de tomarmos consciência de sua existência, e quando, então, conhecemos isso, parece-nos um conhecimento/conceito novo, uma epifania – mas os dados, e tudo que prepara a epifania, já amadurece em nós, por tempos e tempos tempos, só esperando o momento de desabrochar na gente. Uma de suas maiores descobertas foi algo que a espantaria por anos: a incrível dualidade presente no ser humano, q é, em grande parte, a responsável pelo fascínio que o homem exerce: todo homem carrega em si o mal e o bem, a loucura e a sanidade, a dor e a paz, o desespero e a esperança, o egoísmo e o altruísmo, a melancolia e a alegria, a raiva e a tolerância, o ódio e o amor. Em quais doses de cada? Aí depende de cada homem, de cada escolha sua. Sim, a escolha é sua. E só sua. E se você não sabe que ela é sua, acredite, um dia você aprenderá (nem que seja na marra e na porrada), que só você e mais ninguém é responsável pelo peso que você carrega na sua mochila. A princesa aprendeu, e leva em sua alma (e logo mais em sua pele), que todo homem guarda em si “dois corações, um que é do mar, um das paixões, um canto doce, um jeito de temporal… um deus, um sabotador,* um louco, um santo, o bem e o mal.”(4).

E em sua busca, a princesa conheceu os mais diversos castelos… Castelos enormes, castelos pequeninos… Castelos deslumbrantes, castelos horríveis… Castelos longínquos, castelos muuuuito próximos (quase dentro)… Castelos bem mais ou menos, castelos bem extremos… Castelos encantadores, castelos frustrantes… E ela não conheceu NENHUM superficialmente: todos, ela conheceu a fundo. Todos, ela abriu, cavou e desbravou incansavelmente. Pq assim era seu modo de funcionamento: seu modo era, como disse mais pra frente um homem sábio, uma “avalanche de emoções”. Ser avalanche de emoções era, ao mesmo tempo, inebriante e assustador. E ambas as características, alcançavam a si e a todos que chegavam perto. E esse foi o segundo dos TRÊS* grandes aprendizados da princesa: ser avalanche de emoções era incrivelmente sedutor para todos em sua volta, e extremamente cruel com seu coração, que, sendo assim, se privava de algo que é tão caro ao coração humano maduro: a PAZ interior. E assim, além do seu castelo, a princesa começou a buscar, também, a sua PAZ.

E foram anos de jornada e de encontros e desencontros, de castelos e “des”castelos,  onde ela entrou, e saiu ou por escolha própria ou por necessidade, ou foi forçada a sair, e eis que nessa longa busca em modo constante avalanche a princesa encontrou o castelo MAIS LINDO que já vira… O castelo que ela, tinha plena convicção, era o SEU. Prontinho pra ela, EXUBERANTE, SEU por questão de identificação completa e absoluta, encontro pleno e profundo de almas: de princesa e alma de castelo. Castelo BRILHANTE a ponto de ofuscar TODA a sua visão do entorno. Ela entrou nesse castelo ainda avalanche, e desta vez sem medo algum, e subiu até a torre mais alta da construção, de onde ela via o reino maravilhoso, que sempre buscou, e com o qual SEMPRE e sempre sonhou. E quatro meses depois, ela foi defenestrada de cima da torre MAIS alta desse castelo. E não foi um simples lançamento ao ar: ela estava presa por uma corda, para que a cada solavanco da queda a corda a puxasse um pouco e ela batesse na parede da torre, e assim TUDO doesse ainda mais… E ao cair no chão ela REALMENTE achou, do fundo do seu coração, que TUDO nela havia morrido.

Foi quando surgiu em seu caminho um homem muito sábio, que a mostrou, antes de tudo, que ela sobreviveu, que todos nós somos, antes de tudo, sobreviventes das construções e desconstruções diárias da vida. Ele mostrou que, como disse, acho que foi Clarice Lispector quem disse: nesta vida não se vive uma só vida, mas uma vida a vida (tal qual um dia a dia). Ele mostrou que ela estava completamente enganada sobre o castelo anterior, e, o que era pior (ou melhor), ela estava enganada sobre toda a sua busca.

Com esse homem, e sua sabedoria simples e grandiosa, ela aprendeu a terceira das TRÊS* GRANDES lições: aquele castelo era LINDO mesmo, era IGUALZINHO ela sempre sonhou, era esplêndido, mas não era O SEU castelo. E não era O seu não por que não lhe pertencesse – na verdade, e ela saberia disso pra sempre, de alguma forma AQUELE castelo seria seu, sim, pra sempre. Mas ele não era O SEU castelo por um motivo MUITO óbvio e MUITO simples: nenhum castelo REALMENTE nosso está fora de nós. Nenhum castelo REALMENTE nosso está pronto, ali, à nossa espera. É DENTRO DE NÓS que a casa mora (5). E o castelo que a princesa rodou e percorreu TANTOS MUNDOS pra encontrar, e abriu TANTAS E TANTAS PORTAS em sua busca, e tomou TANTAS portas na CARA, e padeceu tantas vezes do sentir ele ser construído, e desconstruído e reconstruído, esse castelo NUNCA foi e NEM seria realmente seu pela simples fato de que foi construído pelas mais diversas coisas – pessoas, sonhos – não por ela – que o castelo realmente dela, estava O TEMPO TODO, MUUUUITO PERTO, dentro. E era construído, e desmoronado, e recauchutado dentro dela e, pior (ou melhor), POR ELA.

E essa verdade a paralisou. Essa verdade era assustadora. Essa verdade trazia para ela uma RESPONSABILIDADE ENORME, e, também, mas isso ela demorou a perceber, um poder ENORME. “Todo grande poder exige uma grande responsabilidade.” E isso a assustou mais que tudo neste mundo. Isso era o oposto do castelo brilhante, cor de rosa e todo PRONTINHO para ela. Isso era um chão, um alicerce, sem paredes, sem pilastras, sem muros, AINDA sem cores, TODO em branco, PARA ELA PREENCHER – um castelo INTEIRO para ela construir, da maneira como quisesse, inclusive, exatamente brilhante e LINDO como ela sempre sonhou, porém com a PLENA consciência que ela E SÓ ELA era a engenheira, a arquiteta, a urbanista e a decoradora. Que qualquer dano, queda, decorrente de uma pilastra mal fincada ao chão, um lustre mal preso ao teto, qualquer erro era responsabilidade (e culpa) única dela.  E, inconscientemente, ela achava que era necessário punir o homem que a tirou da caverna, que a revelou a sua responsabilidade – e o seu poder. No fundo ela achava, sem achar na superfície, que quem revela algo grandioso assim, quem traz à tona um mundo desafiador de luz e verdade a quem viveu por tanto tempo na obscuridão, devia ser punido por ter lhe tirado a “zona de (des)conforto” em que ela buscava, aos trancos e barrancos, uma felicidade fora de si, e culpava o mundo pelos seus desencontros e infortúnios. Uma pessoa deveria ser punida por nos dar o que se pode dar de mais VALIOSO a alguém: A LIBERDADE. Porque nada é mais valioso, e mais ASSUSTADOR, do que a verdadeira liberdade. Gandhi dizia que há homens livres na prisão e presos em suas casas – é uma questão de consciência, de ter mente e coração aterrorizantemente e verdadeiramente livres (ou de não ter).

E quando ela compreendeu essas TRÊS grandes lições, quando, MAIS do que isso, essas TRÊS* grandes lições tornaram-se PARTE DE SEU SER e ela percebeu que ela precisava, SIM, ela mesma, construir o SEU castelo, que ela não podia mais fugir dessa verdade, que essa era sua, e só sua, maior responsabilidade. Quando ela compreendeu que, acima de tudo, ela não podia fugir dessa LIBERDADE aterrorizante, ela, ENFIM, percebeu o PODER que tinha em suas mãos e em seus pés, o poder que ela detém sobre seu castelo, sobre as rédeas de seu destino, sobre as construções, quedas, desconstruções e reconstruções de seu caminho, o poder que ela tem sobre a consistência e a beleza cada tijolo que ela coloca em seu alicerce,  e diante de tal epifania (que, como supracitado, nada mais é do que a sensação repentina da conclusão de um longo processo interno) o coração da princesa SORRIU. Um sorriso que era preciso ter mais rosto pra caber tanto sorriso. E viu que aquele sábio homem que ela puniu por trazê-la para dentro de si mesma, aquele que ela puniu por mostrar a ela onde encontrar (e fundar) seu próprio castelo, aquele sábio homem não era ninguém mais do que o seu rei.

E assim a princesa viveria (feliz? triste? alegre? com raiva? em paz? louca? santa? lutadora? doce? indignada? esperançosa? pecadora? pura?), assim ela iria VIVER para sempre em seu próprio castelo.

Sobre as interrogações, viver é uma pergunta, à qual respondemos, uma nova resposta, todos os dias.

Obs: o asterisco no número TRÊS* é para esclarecer que não há uma ordem hierárquica nem temporal entre as três grandes lições – tudo se complementa e cada um contribuiu, em maior ou menos grau, pro aprendizado da outra.

Notas:

(1) trecho do Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade

(2) trecho da obra Minutos de Sabedoria, mas que a princesa, especificamente esse trecho, nunca leu – ela ouviu essa frase do rei do primeiro grande castelo que encontrou em sua busca.

(3) trecho do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa).

(4) música “O bem e o mal”, de Danilo Caymmi.

(5) referência a um trecho do livro “Um rio chamado tempo uma casa chamada terra”, de Mia Couto.

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Mexicana, trintona e destreinada

Ontem eu queria MUITO comer algo legal e diferente, e aproveitar o fato de que agora eu tenho um salário bom (esse é o segundo!! Ainda to na fase de comemorar os salários hehe ainda é tudo recente! Ainda não me acostumei com o novo horário de acordar – sobretudo nao acostumei com o novo horário de dormir… mas isso eh assunto pra outro post). Então resolvi ir no El Paso Mexicano, um restaurante do qual eu sempre quis conferir o rodízio, pois AMO comida mexicana e acho o lugar LINDO LINDO!! Pois bem, às quintas pro rodízio é R$41,90, e vale CADA CENTAVO!! (fui na unidade da Asa Sul, mas sei que tem tambem no Terraço Shopping).

Lá estava eu, sozinha, comendo e curtindo MUUUUITO meu chilli, meus burritos (até uma pimenta EXTRA eu pedi pro garçom – afinal onde ja se viu comida mexicana com pouca ou nenhuma pimenta?? A de lá, a princípio, eh assim: vc coloca a sua pimenta!! E eu acho aquela Tabasco tradicional tão sem gracinha hehehe o moço trouxe pra mim uma q até caveira no rótulo tinha, do tipo q desce a lágrima no olho qdo vc come… Gosto de pimenta assim), e eu tava lá nessa de comer e de fazer cálculos dos meus pagamentos, de escrever coisas importantes na agenda e mexer no smartphone, quando de repente um cara q estava sozinho na mesa ao lado (eu tinha visto quando ele entrou, bonito, na faixa dos 30 e tantos a 40 e poucos e sentou sozinho na mesa ao lado)… Eis que ele solta:

– Ei moça!! Posso te fazer companhia??

E eu… E eu… Eu que sempre tenho resposta pra tudo… Fiquei abestalhada pensando: han? Oi? Sério? É comigo?

E enfim, eu precisava responder algo, olhei o relógio e disse:

– Ah… Obrigada!! Mas eu ja to indo embora jaja…

– Ah sério??

– Sim…. Acordo cedo pra trabalhar amanhã (como eu sonhei anos em dizer esta frase hehe)

E ele:

– eu tb acordo cedo pra trabalhar…

Eu:

– É… Mas não… Eu daqui a pouco ja to pedindo a conta… Mas Obrigada!!

E ele me olhou com uma cara de chateado… E eu:

Mas desculpa viu!!

Ao q ele respondeu: hummm nao… nao vou desculpar!! Brincadeira… Vou sim!

A partir daí eu comi tudo às pressas, e fiquei, a cada segundo, me perguntando pq eu disse não… Se eu deveria voltar atrás e dizer sim q ele podia se sentar na minha mesa… Afinal era um homem bonito, elegante, maduro… Fiquei pensando, tambem, no quanto ele foi corajoso ao me ver ali, totalmente na minha, sem maquiagem, sem salto, e MESMO assim tomar a iniciativa – me deu vontade de dizer a ele que não desistisse, que ela está por aí, em algum lugar…

Ela? Sim… Ela. Ele devia estar procurando alguém… Que certamente não era eu. Todos nós ou já encontramos alguém ou estamos a procura de alguém. Ou estamos quietos, ou cansados, ou desacreditados, esperando que alguém nos procure. Mas essa procura está no ar… De forma quase tangível: mais do que a procura, os encontros, os desencontros, os reencontros estão no ar… Pulsam nos corações humanos. Estes dias terminei de ver uma série que amei com todo meu coração: How I Met Your Mother. E ela me ensinou MUUUUITAS COISAS valiosas (como um dos famosos bordoes da série: “nothing good happens after 2 a.m.”), entre elas, relembrei o quanto há OS MAIS DIVERSOS tipos de amor, o quanto todos eles trazem encontros lindos, desencontros dolorosos mas que lááá na frente mostram que tinham uma razão de ser, e o quanto trazem os reencontros q são destino, parte da gente. Que na vida nao importa o destino, mas a jornada. Que a coisa que nós seres humanos sabemos fazer MELHOR é AMAR!! Amar e amar… É o que fazemos de melhor!!! Então façamos!!!

Ah, e como eu sabia q não era a “the one” do cara? Que eu não era ELA? Eu não sabia… E nem sei… O fato é que eu não soube o que dizer, o que fazer… Foi algo que eu definitivamente nao esperava: sobretudo não ali, não naquele contexto… Eu desarrumada, absorta na agenda e no celular… E algumas coisas então me ficaram claras, translúcidas:

1) essa coisa de ser trintona ferrou com o meu “timing” e com todos os meus meios e formas de aproximação, de envio de sinais, de sims e nãos, de “talvezes”, ou, como dizem os americanos, acabou com o meu “move” (ou seria “move on” q eles falam? Ou “movement”?), acabou com todas as minhas técnicas de flerte/paquera!! Hahahahahahaha pq digo isso??

Por vários motivos… O primeiro eh q eu ando meio cansada disso tudo, de TODO o jogo que existe em torno disso: e pior – as pessoas realmente são atraídas, ou repelidas, pelas regras desse jogo. Mas eu nao tenho mais tempo nem paciência pra ele… Depois de tantos (E TANTOS) anos na pista, meu lema é como diz a música “não não tenho tempo a perder!! Eu só quero saber do que pode dar certo…”.

Segundo, eu sofri pra caramba antes dos meus 30 anos… Nem foi tanto pelo se aproximar dos trinta mas pq o tal do retorno de Saturno ferrou com tudo – dizem que no retorno de Saturno vc só colhe o que plantou antes… Então pra mim ficou claro: só plantei vento, ou no mínimo adubei errado, joguei ar em vez de água, pq é sério: só colhi tempestade!! Foram anos de cão de 2007 a 2011 – desejo pra ninguém nao!! Mas foram também anos de ENORME aprendizado, e de reconciliação PROFUNDA com meu eu, com minha família, com minhas origens… Aprendizado que só foi possível pq aconteceu TUDO que aconteceu – e pq deixou de acontecer tudo que deixou de acontecer.

Essa catarse culminou na crise dos 30 anos – e MUITO dela ja se encerrou. Afinal, já to nessa casa dos 30 há tres anos hahaha O fato eh que o retorno de Saturno se encerrou. Colhi tudo que plantei, exorcizei toda a colheita densa, ruim, os frutos podres, as flores murchas, e então pude plantar novamente – a partir de 2012. E como mesmo as trintonas não estão imunes a erros (e quem está? Nem os oitentões então hehe), eu plantei errado de novo, e mais algumas vezes, e TOMEI PORRADA FORTE igual, e DOEU descomunalmente igual, MASSSSS…. a minha maneira de enfrentar foi diferente…. A minha maneira foi mais FORTE, foi mais MINHA. E eu descobri que eu sempre acreditei em anjos, e pq eu acreditei eles me provaram sua existência exatamente quando precisei – pq eu merecia os anjos em minha vida, eu ja tinha queimado meus pecados. E se ainda to na crise dos 30 eh so pq, quando eu cheguei nela foi tudo muito insano: algumas amigas, as quais vibro pela felicidade delas, conseguiram tudo, outras metade de tudo – algumas casaram, tiveram filhos, se tornaram independente e se realizaram profissionalmente: tudo até os 30!! Muitas optaram por um caminho: o do casamento e dos filhos, e tão ralando pela independencia financeira. Outras optaram por investir na carreira, e estão independentes, cheias da grana e na night procurando ELE. hehehehe… Eu cheguei aos 30 por um caminho completamente diferente, eu escolhi uma coisa, e por mil motivos ela não veio antes dos 30. Eu não tinha nenhum dos tradicionais combos: casamento+filhos OU carreira($$) estável. E não ter nada do q sonhei, do que desejei ter em minha vida antes dos 30, me devastou, me desconstruiu… E foi uma desconstrução viceral… E eu achei q tinha me reconstruído em 2012 mas que NADA – eu tava tão desconstruída q me agarrei ao primeiro castelo… E ele não era meu… Não era um castelo meu!! Como não era meu, desmoronou em 2013 – ano catártico, de perda, de total desestruturação, de desencontro de tudo seguido de (graças a Deus, a mim e aos anjos q eu mereci) reencontro com TUDO – e ainda to MUITO me reencontrando… E muito me “re-sendo”… Pq viver eh isso, o ser é constante transformação… A cada dia eu sou eu novamente e sou eu outra… Não é louco esse processo? Sansara… Continuidade… Impermanência. E eu plantei TUDO de novo em 2013, e aproveitei algumas boas sementes de 2012… Desta vez plantei direitinho, arei com sabedoria, cultivei com amor, água e sol… E este tem sido, enfim, um ano de colheitas boas, de flores raras, de frutos maduros… Enfim eu caminhei metade do caminho… E olha que doido: metade q eu podia ter feito antes dos 30, eu só fiz depois dele!! Cada um no seu tempo. E sabe de mais: não me arrependo de nada do q fiz!!! Se eu não fiz muita coisa que achei q faria, eu fiz UM MONTE de coisa que nunca achei que faria…. E não dizem que a vida acontece exatamente fora do planejado?? Fora da zona de conforto?? Foi onde eu vivi por muitos anos… FORA DA ZONA DE CONFORTO?? Paguei um preço MUITO alto por uma vida assim?? Paguei – e ainda pago. Mas não há preço que pague o sabor inebriante de uma vida fora da zona de conforto… Viver numa avalanche de emoções me tirou MUITA coisa – mas tem coisas em minha vida que só essa avalanche poderia trazer.

E eu sei que eu ando destreinada do flerte… Que eu preciso praticar…. Mas eu ando, ao mesmo tempo, tão cansada das baladas e das noites de caça…. E NADA me é mais atraente prum sábado a noite do que um filme criteriosamente escolhido por mim no DVD (pois é, sou vintage: ainda vou na locadora alugar), um bom vinho, rolinhos primavera ou doses fartas de sashimi/sushi, sorvete: eis a combinação da minha noite de sábado perf… QUASE perfeita: falta a companhia… Pois é… Falta… Eu sei.

Por isso eu preciso treinar… Mas treinar pra que?? Se quando o AMOR chega eh sempre aquele (DES)preparo todo da gente?? A gente diz que tem de se preparar pro grande amor, mas todos os grandes amores chegam quando a gente está menos preparado pra eles, chegam quando a gente acha q todos os nossos grandes amores foram embora, chegam pra sacudir, pra mudar a ordem das coisas, chegam pra mostrar que a todo tempo estamos todos DESpreparados pro amor e, AO MESMO TEMPO, somos todos, por natureza e humanidade, SEMPRE preparados pro amor, pra AMAR… Pq não há verbo que o ser humano conjugue melhor. #fato

Obs: para os curiosos de plantão, eu não sei ABSOLUTAMENTE nada sobre o cara… mas quando eu estava saindo do estabelecimento, eu disse: “tchau!! Boa Noite!! e ele olhou com descaso e simplesmente deu de ombros… Deselegante… Não, eu não era a menina dos olhos dele.

#MAISAMORPORFAVOR

Nuvens e tempestades

vooAcimaNuvens

“E, depois de voar bem alto… A pequena* viajante descobriu que a chuva chove apenas por debaixo das nuvens, não acima delas. Percebeu, portanto, que não precisa suportar as tempestades… Ela pode SUPERÁ-LAS!!”

(Nigel Anderson)

Obs: post TOTALMENTE identificado com o início de período de chuvas em Brasília (que venham pra ficar) e de superações das tempestades dentro de mim (que eu voe acima das nuvens)!! 😉

Dia do Poeta

escrever
 
Hoje, 20 de outubro, é dia do Poeta. Eu nem sabia que existia, especificamente, um dia do Poeta… Mas fiquei feliz em saber que existe (descobri pq recebi via email profissional aqui do Ministério da Justiça – pois é, agora eu sou servidora pública!! 😀 Depois faço uma postagem sobre isso….)
 E hoje, no dia do Poeta, fiquei pensando que a poesia em minha vida é como uma de minhas grandes amizades: nem sei dizer exatamente quando começou, o dia, eh diferente de um relacionamento amoroso que a gente comemora aniversário – ja viu alguém comemorando aniversario de amizade?? Difícil de ver né? Deve ser pq amizade mesmo não tem data de começo… e nem de fim!!
Assim é a poesia pra mim – desde que me entendo por gente sou sua grande leitora e apreciadora… Mais do que isso: sou, eu tb, e pq não dizer, um pouco poeta… Pq se de médico e louco todo mundo tem um pouco, de poeta também todo mundo tem um pouco… O difícil é VER isso, acima de tudo: o difícil é MOSTRAR isso…. O tempo passa e junto com a maturidade q vai chegando a grande maioria das pessoas vai perdendo algo de MUITO precioso: a espontaneidade!! Sempre lembro do GRANDE Che Guevara que dizia que é preciso endurecer sem perder a ternura jamais… Como é difícil não perder a ternura??
Um grande amigo e irmão de alma (o Nito), do qual vcs vão ouvir (ou ja ouviram) falar, sempre me disse q meu problema é que leio muitos romances e vejo muitos filmes românticos… Que a realidade é mais dura do que a grande maioria das narrativas se dispõe a mostrar… E eh uma verdade!! Pois de realidade já estamos fartos: quem então vai, no seu momento de sonho e entretenimento, ler ou ver algo que retrata exatamente o duro cotidiano em q vivemos? Agora lembrei do GRANDE escritor Nietszche, que dizia que a arte existe para que a verdade não nos destrua… E não é mesmo??
Enfim, isso tudo pra dizer uma coisa pequena, mas eu, diferente de tantas pessoas neste mundo mega atarefado, eu, talvez pq exercitei sempre o meu lado poeta, não consigo ser sucinta – concisão é um exercício constante e difícil em minha vida, mas a vida adulta e o trabalho exigem q eu seja, e vou aprender a, quando necessário, ser. Mas até lá, digo que enfim, vou dizer o que vim aqui pra dizer!!
Neste dia do Poeta,fico pensando em tudo q disse aqui em cima, e por fim penso que deve ser MUITO difícil ser poeta e ter uma vida real, cotidiana, acordando e dormindo de acordo com o horário comercial, viajando só um mês por ano (quando muito), tendo relacionamentos q acabam em cigarros, advogados ou filhos (ou tudo isso junto), estudando em colégios/faculdades que ensinam a pensar como rebanho e não como formador de opinião, buscando lazer na internet e na exposição da vida alheia (e da própria)… Fico pensando: que tarefa difícil ser poeta… Quão castradora é a realidade, quão libertadora é a poesia, e quão, ao mesmo tempo, pode ser escravizante esse dilema: realidade X poesia… Pensando nisso, deixo duas msgs para TODOS AQUI:
1) encontre poesia em sua vida TODOS OS DIAS!! Permita que pelo menos UMA VEZ por dia seus pensamentos mais sonhadores, mais verdadeiramente livres e lbertadores, tenham vazão e espaço de ser, de viver… Reserve pelo menos UM minuto só pra poesia q existe dentro e bem dentro de vc!!!
2) ao mesmo tempo, pense no que disse, com profunda sabedoria, Charles Baudelaire: “O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar.”
 E mais do que preciso sonhar, é PRECISO CAMINHAR…